Profissionais do Hemocentro estiveram em Luanda para treinamento de equipes de Angola, Moçambique e Cabo Verde; visita também incluiu encontro com a Ministra da Saúde de Angola e a realização da primeira eritrocitaférese do país.
Na última semana, profissionais do Hemocentro Unicamp estiveram em Luanda, capital de Angola, para participar do II Workshop Internacional sobre Hemofilia, uma iniciativa voltada à capacitação e ao fortalecimento da assistência especializada às doenças hematológicas em países africanos de língua portuguesa.
Realizado entre os dias 17 e 20 de agosto, o workshop reuniu 116 participantes de Angola, Brasil, Moçambique e Cabo Verde, além de profissionais de diferentes províncias angolanas. Durante a programação, foram desenvolvidas diversas atividades teóricas e práticas, envolvendo uma abordagem multidisciplinar no cuidado de pessoas com hemofilia e doença falciforme.
A participação do Hemocentro Unicamp integra os projetos de cooperação internacional desenvolvidos por meio do Twinning Program da World Federation of Hemophilia (WFH) e também com o apoio da Novo Nordisk Haemophilia and Haemoglobinopathies Foundation (NNHF).
A comitiva brasileira contou com profissionais da Unidade de Hemofilia do Hemocentro Unicamp: Andrea Sambo, Janaína Ricciardi, Silmara Montalvão, Maria Elvira Correa, António Bento e a Profa. Margareth Ozelo. Também integrou o grupo o Dr. Bruno Benites, que participou das discussões e das atividades relacionadas à doença falciforme e à medicina transfusional.



Marco histórico para Angola
Um dos momentos mais importantes da visita foi a realização da primeira eritrocitaférese em Angola, um marco para a medicina transfusional e para o desenvolvimento da assistência especializada no país.
O procedimento contou com a participação do Dr. Bruno Benites, contribuindo para a introdução da técnica e para a capacitação dos profissionais locais. A eritrocitaférese é uma modalidade terapêutica que permite a remoção e a substituição dos glóbulos vermelhos do paciente em situações clínicas
específicas, ampliando as possibilidades de tratamento de determinadas doenças hematológicas, como a anemia falciforme. A realização do procedimento representa um avanço significativo para o sistema de saúde angolano e abre novas perspectivas para o atendimento a pacientes que necessitam de cuidados especializados.
Reconhecimento à parceria Angola–Brasil
Ao final das atividades, a delegação brasileira foi recebida pela Ministra da Saúde de Angola, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta. Durante o encontro, foram apresentados os resultados da cooperação entre o Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, de Angola, e o Hemocentro Unicamp, parceria estabelecida no âmbito do Twinning Program da WFH.
A audiência também marcou o registro junto à Ministra do Prêmio de Melhor Twinning Program de 2025, concedido pela World Federation of Hemophilia às duas instituições parceiras.
A premiação reconhece os resultados alcançados por meio da cooperação entre Angola e Brasil, especialmente no fortalecimento da assistência às pessoas com hemofilia, na formação especializada de profissionais de saúde e na transferência de conhecimento entre as instituições.
Para a Profa. Dra. Margareth Ozelo, que liderou a delegação brasileira, a experiência reforça a importância da cooperação internacional e da troca de conhecimentos para o desenvolvimento de serviços especializados e para a melhoria da assistência aos pacientes.
A participação do Hemocentro Unicamp no workshop reafirma o compromisso da instituição com a formação de profissionais, a disseminação do conhecimento científico e o fortalecimento da assistência hematológica, contribuindo para que experiências e práticas desenvolvidas no Brasil possam colaborar com a ampliação do acesso a tratamentos especializados em outros países.
